Rejane Tamoto

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Quem precisa de uma reserva de emergência?

Você, eu e todo mundo que quer proteger o patrimônio e os planos de imprevistos

No começo do ano é comum ouvir a frase “não posso gastar porque tive muitos imprevistos”, além do clássico “estou sem dinheiro”. Frases que se repetem sempre no começo do ano e frequentemente usadas para adiar o início de um plano financeiro.

Também são justificativas usadas por quem não tem uma reserva de emergência, também chamada de colchão financeiro.

Essa reserva deve ser o equivalente a seis meses de despesas mensais, mas isso também depende do fluxo de receita de cada pessoa.

Quem tem uma renda que é variável, como um prestador de serviço autônomo, deve ter uma reserva mais robusta, inclusive para cobrir os gastos fixos durante as épocas de fraco movimento das vendas.

A reserva deve estar em aplicação de fácil acesso e com rentabilidade conservadora. Afinal, ela é destinada a emergências.

Com reserva, dá para investir com tranquilidade

Sempre que converso com alguém sobre planejamento financeiro e investimentos, questiono bastante a respeito dessa reserva. Ela faz toda a diferença quando se trata da realização de objetivos financeiros, pois protege o patrimônio e até mesmo a realização de planos. Por isso, a resposta ao título desse artigo é: todo mundo deve ter.

Agora que a renda fixa caminha para ter uma rentabilidade menor muitas pessoas ficam propensas a querer investir essa reserva em aplicações de maior risco.

O problema de uma decisão como essa é justamente precisar do dinheiro para uma emergência no dia que esta aplicação estiver em baixa e fizer o resgate. Sempre recomendo que, ao diversificar, mantenha a reserva protegida.

Quando usar uma reserva de emergência?

A reserva de emergência ou colchão de segurança deve ser acessada para dar suporte a uma perda de emprego ou receita, para comprar uma geladeira para substituir a que quebrou, um celular porque o outro foi roubado ou mesmo despesas imprevistas de última hora que são necessárias para realizar um plano sem perder dinheiro.

Sobre esse último exemplo, eu tenho uma história a compartilhar. Em 2017, quando já estava prestes a mudar de carreira, eu e meu marido programamos nossas férias em Nova York.

Conseguimos uma ótima condição na passagem aérea, o mesmo ocorreu na escolha do hotel. Estava tudo certo para irmos na segunda metade do meu período de 30 dias de férias – já que eu ainda era CLT. 

Eis que, no meu primeiro dia de férias, piso em falso em um degrau e lesiono o ligamento do pé esquerdo. No pronto-socorro, o ortopedista informa que devo ficar imobilizada por um mês. Se viajasse, teria que ficar sentada. A primeira reação foi pensar em cancelar tudo – afinal, como eu iria para uma cidade tão efervescente para passear se teria que  ficar sentada?

Pensei de novo, calculei e percebi que realmente não valia a pena cancelar. Além de perder dinheiro com o que eu já havia pago, havia o principal prejuízo – o emocional – que era passar um mês inteiro lamentando o machucado presa em casa.

Recorri então à reserva de emergência e aluguei uma scooter (muito comum nos Estados Unidos para quem tem mobilidade reduzida) para circular pela cidade. Mas antes li muito sobre o quão acessível é a cidade de Nova York. E de fato é.

Fiz praticamente 90% do que planejei na cidade usando a scooter e as muletas. Havia rampas por todos os lados e motoristas de ônibus e de app de transporte que sempre me estendiam uma rampa. Aumentei um pouco o orçamento da viagem, mas ganhei upgrade gratuito no quarto de hotel – para um acessível e mais amplo. E o maior ganho foi realizar o meu plano.

Inimiga da reserva é a confiança excessiva

Então, quando falo com clientes sobre a importância de ter colchão financeiro, alguns esboçam um olhar abstrato. Outros entram em negação. Afinal, quem pode imaginar que vai machucar gravemente o pé no primeiro dia de férias? Ninguém. Eu pelo menos nunca pensei que minha reserva fosse ser usada para isso.

A dificuldade de compor e recompor essa reserva está relacionada ao viés comportamental da confiança excessiva. É aquela frase de bolso que fica na cabeça dizendo: “comigo isso não vai acontecer”. E assim, achando que tudo sempre vai dar certo, a pessoa se arrisca bastante.

Como escapar dessa confiança excessiva, que pode trazer um prejuízo financeiro futuro? Conversando com alguém de sua confiança. Um planejador financeiro pode ajudar a mensurar os riscos e calcular qual o tamanho certo dessa reserva. E então? Está pronto para superar os imprevistos?

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O que você precisa saber se não gosta de cuidar das suas finanças

Um levantamento confirmou em números o que muitos já sabem ou até desconfiam: 58% dos brasileiros não gostam de dedicar tempo para cuidar das próprias finanças.

A pesquisa é do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e foi realizada com 805 consumidores acima de 18 anos, de ambos os gêneros e de todas as classes sociais nas 27 capitais.

Com esse percentual alto, resolvi fazer um post para a turma que não gosta de dedicar tempo para cuidar do próprio dinheiro.

Nem preciso repetir que uma solução para sair dessa encrenca de não cuidar das finanças é ter uma assessoria financeira personalizada, não é?

Porque cuidar das finanças pessoais demanda, além de conhecimento técnico sobre o assunto, um trabalho de autoconhecimento.

É preciso saber que tudo o que está por trás dos números significa na sua vida e como você se sente em relação a isso. E como planejadora, ajudo nessa busca.

Parece papo de terapeuta – e até é -, mas traz um resultado positivo para as suas finanças.

Já vi cliente que, nas primeiras reuniões de planejamento financeiro, não suportava olhar para a planilha pois não queria encarar os valores que estava gastando todo mês.

Depois de um trabalho personalizado, tomou gosto pela anotação, pois, com a minha ajuda, aprendeu a pensar e a cuidar do próprio dinheiro.

BARREIRA TAMBÉM É EMOCIONAL

Fico tão feliz quando vejo outra pessoa satisfeita e orgulhosa por ter ultrapassado essa barreira, que é 90% de raiz emocional.

O levantamento que citei no começo do texto mostra um pouco da importância do planejamento financeiro que faço, um trabalho que envolve aspectos técnicos e comportamentais.

O estudo mostra que 91% dos consumidores não fazem o controle do orçamento por não terem familiaridade com a matemática e 45% afirmaram que gastam muito por impulso.

CONSEQUÊNCIAS NEGATIVAS

Uma consequência de não cuidar das finanças é o endividamento excessivo, causado pelo descontrole. A pesquisa mostra que 17% dos respondentes precisam do socorro do cartão de crédito e do limite do cheque especial para pagar as contas do mês.

Pior: mais trabalhoso do que preencher planilhas de orçamento para controlar os gastos é ter de reorganizar e consolidar dívidas. Além de trabalho, leva tempo, que também é precioso.

Outro dado triste da pesquisa é que 48% nunca ou somente às vezes planejam seus recursos para realizar um sonho. A pesquisa mostra que 38% nem sempre têm planos para o futuro.

Quando iniciamos o processo de planejamento financeiro, conversamos de forma a resgatar esses planos e sonhos muitas vezes perdidos. E investimos para realizá-los. Afinal, o que seria da vida sem os sonhos e sem a esperança de um amanhã melhor?

 

 

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Sabe qual dinheiro não aceita desaforo? O que não foi investido

Quando se aprende a gastar menos do que se ganha, ou aumentar a renda sem elevar as despesas na mesma proporção, surge um fenômeno que causa um misto de prazer e desconforto em alguns investidores: onde investir o dinheiro parado em conta-corrente?

A sensação de prazer é óbvia, já que foi resultado de esforço, disciplina e foco em economizar para um objetivo – não importa se ele é claro ou vago.

Quando isso acontece, percebemos que somos capazes de criar o hábito de poupar e que temos o poder de guiar os números e não ser guiado por eles. Maravilhoso, não é?

MEDO DE ‘ESCOLHER ERRADO’ GERA DESCONFORTO

Mas em seguida vem o desconforto, causado pela dúvida sobre onde aplicar e o medo de fazer a escolha errada e de se arrepender. É natural, porque, primeiramente, existem milhares de opções no mercado financeiro.

Se você abre a plataforma de uma corretora, fica em dúvida. E, se for ao banco perguntar ao gerente, pode receber uma recomendação que não é exatamente a melhor para você.

O que observar antes de escolher? Maior rentabilidade? Prazo? Taxas? Impostos? É de causar um nó na cabeça de quem não entende sobre o assunto e quer comparar.

A INÉRCIA CORRÓI O SEU PODER DE COMPRA

Quando vem esse sentimento, três caminhos são possíveis. O primeiro é deixar como está, permanecer na inércia. O perigo é que, enquanto o dinheiro está lá, o poder de compra é corroído pela inflação.

Quem está nesse ponto deve, no mínimo, guardar o valor em um aplicação simples, como a poupança, até decidir onde alocar o recurso.

Nesse caso, lembre-se: o ganho da poupança praticamente tem empatado ou sido menor do que a inflação. Então, deixar o recurso estacionado na caderneta também não resolve o problema.

O outro caminho é o mais nocivo: gastar tudo e depois não se lembrar para onde foi aquele dinheiro que estava “sobrando”.

Eu já vi isso acontecer com pessoas que conseguem guardar, mas ao mesmo tempo não resistem às tentações do consumo. Para elas, o melhor pode ser colocar em uma aplicação automática.

O terceiro caminho possível – e agora puxo a sardinha para o meu serviço – é buscar auxílio profissional e feito sob medida.

PRIMEIRO PASSO: DEFINIR OBJETIVOS E PRAZOS

É nesse ponto que acabo conhecendo muitos de meus clientes. No processo de planejamento financeiro pessoal, colocamos um objetivo para esses recursos que estão parados em conta e um prazo para que fiquem aplicados.

Esse é o primeiro passo para tornar a escolha mais fácil.

A diferença de fazer o investimento durante um processo de planejamento é que as necessidades do cliente ficam sempre em primeiro lugar, e não as do banco e nem da corretora. Isso torna a escolha mais segura.

CONHEÇA O SEU COMPORTAMENTO FINANCEIRO

Além disso, nesse processo o planejador pode fazer uma análise comportamental do investidor – diferente da análise de perfil de risco (o formulário que você preenche para o banco ou corretora), que é obrigatória.

Ambos são importantes e auxiliares nesse processo, mas a diferença é que, na análise comportamental, o próprio investidor passa a perceber como reage a diferentes cenários quando o assunto é dinheiro.

Assim, sabe quais são os impactos positivos e negativos dessas reações nas decisões que ele toma em relação ao próprio dinheiro.

TER UMA PLANEJADORA É UM DIFERENCIAL

Com o apoio de uma planejadora financeira, consegue evitar erros que sempre se repetiram em sua vida na tomada de decisão.

Assim, acredito que há uma combinação de fatores que levam ao sucesso no processo de escolha dos investimentos.

O investidor precisa entender no que está aplicando seus recursos, investi-los com objetivos e prazos claros, ter autoconhecimento suficiente para saber qual o seu perfil de risco e de comportamento financeiro.

Acima de tudo, contar com alguém que trabalha apenas em prol de seus interesses. Esse é o meu clube.

 

 

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Empoderamento financeiro feminino. Já parou para pensar?

O título desse artigo tem uma expressão que retirei do livro de uma mulher que admiro muito, a professora Vera Rita de Mello Ferreira – que, na última semana, me inspirou ainda mais a tornar as mulheres (mas não só elas!) empoderadas financeiramente.

Especialista em psicologia econômica, Vera Rita é autora do livro “Decisões Econômicas. Você já parou para pensar?”, que li há alguns anos e revisitei ao fazer o curso sobre o tema.

Em diferentes situações ela me fez lembrar sobre quantas vantagens e potenciais naturais as mulheres têm para enriquecer.

E isso me fez passar um pequeno filme na cabeça sobre quantas mulheres eu conheço e atendo que são fora de série quando o assunto é finanças pessoais.

Seja porque tem retornos muito bons, seja porque conseguiram superar as maiores dificuldades e dar a volta por cima.

E, o pior, elas muitas vezes não se dão conta disso, convivendo com a fama de gastadoras que o senso comum insiste em pregar.

MULHERES TÊM RETORNOS MELHORES

Pesquisas realizadas no âmbito da psicologia econômica e das ciências do comportamento mostram que os investimentos promovidos por mulheres têm rentabilidade maior do que os realizados por homens no longo prazo. A explicação para isso?

Elas ganham mais porque mudam menos suas aplicações financeiras e isso acontece porque elas perguntam mais antes de agir. Elas têm consciência de que precisam aprender mais sobre esse universo.

Isso porque as mulheres estão inseridas no mundo do dinheiro há pouco tempo, comparativamente aos homens. Elas começaram a ter o próprio dinheiro quando começaram a trabalhar, após a Segunda Guerra Mundial.

O homem, por outro lado, tem muitas ideias sobre onde aplicar e investir e se sente muito autoconfiante na tomada de decisões. Mas, ao pular de galho em galho, perde retorno no longo prazo.

O SEGREDO DA MULHER? APRENDER SEMPRE

E isso não acontece só com o dinheiro. Quando um homem está perdido raramente ou nunca mesmo para no posto de gasolina para se informar. Ainda bem que hoje temos o waze, não é?

As mulheres sabem que precisam aprender mais e por isso buscam o planejamento financeiro, seja para aprender a controlar melhor o orçamento, para ganhar mais em seus investimentos, para fazer o pé de meia para a independência financeira.

Assim, elas acabam ampliando o conhecimento e cada vez mais empoderam-se financeiramente. Emancipam-se cada vez mais.

Tenho orgulho de ter muitas ao meu lado, queridas planejadoras financeiras, clientes que aprendem a controlar o orçamento e a evitar as tentações do consumo e aquelas que investem melhor seus recursos e realizam seus sonhos.

Eu mesma faço parte do time de mulheres que eu admiro e que transformaram positivamente sua vida por meio do planejamento financeiro.

Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, convido você a compartilhar comigo um pouco de sua história e a fazer parte desse time.

 

 

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Investir com confiança pode ser o seu melhor investimento

“Onde é melhor investir o meu dinheiro hoje em dia?”

Não é difícil encontrar algum parente, amigo ou conhecido que pede uma dica de investimento.

Como desenvolvo um trabalho de planejamento financeiro sob medida, evito dar palpite sobre o destino de um dinheiro se não tenho ideia do que a pessoa quer fazer com esse recurso em um futuro próximo ou distante.

Às vezes, nem a tal pessoa sabe.

NÃO SE CONFUNDA

Quando se fala em investimento, deparo-me com situações que, combinadas, infelizmente mais confundem do que ajudam as pessoas, alimentando ainda mais a dúvida: onde, afinal, investir meu dinheiro?

De um lado há uma enorme falta de educação financeira e, de outro, um excesso de informação disponível na internet sobre “como” e “onde” investir.

Contra a falta de educação financeira há bons cursos e boa literatura, mas isso não é o suficiente.

Precisa gostar de estudar um assunto tão árido para, então, entender o que são e como funcionam as tantas opções no mercado financeiro.

Já em relação ao excesso de informação, é preciso observar a fonte e procurar diferenciar o que é propaganda do que é um conteúdo educativo.

CUIDADO COM AS MODINHAS

Fácil será encontrar muitas informações sobre os investimentos da moda, como os bitcoins e fundos imobiliários.

Mas será que o que está na moda é bom para você e para os planos futuros que você tem para o seu dinheiro?

Antes de investir é preciso entender quais são suas próprias motivações.

E se essa tarefa ficar difícil, é recomendável contar com um planejador financeiro, pois só ele trabalhará alinhado a seus interesses. Acima de tudo, o melhor investimento é aquele que você faz com plena confiança.

CONFIANÇA É REGRA DE OURO

E para ter confiança, é preciso saber que todos os envolvidos estão alinhados com os seus interesses e objetivos – desde o planejador ou assessor financeiro até os alocadores e gestores dos veículos de investimento.

Nem sempre é fácil conseguir essa combinação de ouro. Para conseguir fazer tudo isso ao mesmo tempo, conto com a FIDUC.

Consigo, assim, atender aos interesses do cliente de forma completa, já que todos os envolvidos são remunerados exclusivamente pelo cliente.

Montar uma carteira de investimentos com os fundamentos de um bom planejamento financeiro é sempre positivo. Famílias muito ricas administram desde sempre seu patrimônio dessa forma, para que ele perdure.

A diferença é que esse modelo começou a ser democratizado pela FIDUC e hoje pode ser acessível a você.

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Detox financeiro: contra excessos de festas, férias e folia

É sempre assim: no país do carnaval, o ano só começa depois do fim dos três Fs que consomem a rotina das pessoas de dezembro a março: as festas, as férias e a folia. Esse trio deixa marcas não só na balança e nas taxas de colesterol, mas também no bolso.

Quem tem planejamento financeiro provavelmente está preparado para passar por essa fase sem enxaquecas, mas mesmo assim eu indico o detox financeiro. Para quem não deixou uma reserva para essa época, então, nem se fala.

Assim como o detox alimentar que adotamos para limpar o organismo a fim de resgatar o equilíbrio do corpo e da mente, o detox financeiro é indicado para restaurar a saúde da conta bancária e do bolso.

Se no alimentar temos que misturar vegetais com frutas e tomar sucos e chás mirabolantes, no financeiro o exercício é procurar as gordurinhas no orçamento, principalmente aquelas que a gente não consegue ver de jeito algum.

DÁ PARA FAZER SEM SOFRER

É claro que não proponho aqui uma prática que traga sofrimento e nem aquela dor de eliminar pequenos prazeres para ter mais dinheiro. Nada disso. Se assim fosse, eu indicava uma dieta – e das mais radicais.

O detox tem uma característica interessante porque pode levar a uma reeducação alimentar, transformando o consumo desses alimentos saudáveis em hábito. É colocar para dentro vitaminas e minerais e para fora aquilo que não te pertence (ou não deveria pertencer).

E como fazer isso sem sofrer? Bom, se na alimentação podemos promover substituições de alimentos gordurosos por alimentos saudáveis e gostosos, nas finanças o detox segue o mesmo princípio.

O EXERCÍCIO DO CORTE CONSCIENTE

No exercício de emagrecer suas despesas, comece olhando para os serviços fixos que você contrata e analise o quanto realmente está sendo utilizado.

Isso mesmo. Quantos minutos são consumidos em cada uma das linhas telefônicas, quantos MB de internet versus quanto tem direito, quantos canais realmente são assistidos na sua TV por assinatura e por aí vai…

É pensar mais no que estou usando de tudo que pago – incluindo academia e clubes.

Depois analise as demais despesas sempre com a pergunta em mente: preciso mesmo gastar sempre com as mesmas coisas? Quantos livros que comprei eu li? Tudo tem de ser mantido da mesma forma? Ou há uma maneira mais criativa de reduzir o gasto e continuar desfrutando do serviço?

Às vezes compramos coisas que não usamos quando na verdade podemos vendê-las em sites ou levá-las para feiras de trocas e descobrir um objeto ou adereço interessante. Essa é uma das vertentes do consumo consciente.

SIMPLIFIQUE

Conheço pessoas que compartilham planos de serviços de streaming, por exemplo. Na verdade, são medidas muito simples que em nada diminuem o acesso a serviços que você tem, mas que fazem um bem danado ao bolso.

Se a gente coloca a cabeça para funcionar, saem muitas ideias desse detox, mas elas sozinhas não são suficientes. É preciso colocar em prática. Decidiu ver outras opções de planos de internet ou de telefonia? Então pesquise e estipule um prazo para decidir pela mudança.

Afinal, a preguiça também é inimiga do detox – e não só do financeiro.

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Quanto dinheiro você precisa para ter um planejador ao seu lado?

“Quando eu for rica falo com você. Não tenho dinheiro o suficiente”

“Se eu conhecer alguém que precisa, eu te aviso”

Essas são as frases mais comuns que escuto ao dizer que sou planejadora financeira. Afinal, essa é a primeira imagem que as pessoas têm em mente quando ouvem falar dessa profissão, que é tão recente no Brasil.

Essas afirmações não estão totalmente incorretas, já que pessoas dotadas de fortuna sempre tiveram acesso ao planejamento financeiro, seja por meio de atendimento exclusivo nas instituições financeiras com quem mantêm relacionamento, seja por meio de casas especializadas, os chamados family offices.

O outro lado também é verdadeiro, já que a mídia sempre divulga os mutirões para ajudar a organizar as finanças de pessoas que estão com a corda no pescoço. Uma iniciativa interessante nessa direção é o programa voltado para superendividados do Procon.

E COMO FICA QUEM NÃO ESTÁ NEM TÃO AO CÉU E NEM TÃO À TERRA?

Mas o que acontece com quem não está nem tão ao céu e nem tão à terra? Bom, com essas pessoas, que um dia fui eu e hoje pode ser você, a novela é sempre a mesma.

A gerente do banco liga oferecendo capitalização, previdência, às vezes pedindo quase como um favor pessoal pelos “anos de relacionamento”, ou barganhando um desconto na mensalidade se você aplicar suas economias no fundo x ou y. Às vezes nem liga e você vai sozinho pesquisar o que fazer.

Essa gerente está fazendo o trabalho dela, é claro, e longe de mim demonizar o que ela faz, já que conheci várias, inclusive nos cursos de planejamento que frequentei.

O que importa aqui não é julgar, mas é lembrar que uma profissional dessa está fazendo o trabalho dela para o banco ou corretora a qual está vinculada – mas não para você, para atender somente aos seus interesses.

CUIDADO COM O ‘ALMOÇO GRÁTIS’

Encontrar alguém que te ajude a transformar sua vida financeira positivamente e de graça será impossível. Não existe almoço grátis mesmo. E quem tenta provar isso acaba tendo uma indigestão no final.

E é aí que entra o trabalho do planejador financeiro, que pode cobrar uma mensalidade, um valor fechado ou um determinado percentual do seu patrimônio sob gestão por um serviço completo.

O planejamento completo que eu faço, por exemplo, inclui uma avaliação do seu perfil de comportamento para que cada solução seja adaptada a você.

Então, sob medida, ajudo o cliente a gastar menos ao fazer uma completa revisão do orçamento (e isso também é um ganho), a economizar e ao mesmo tempo escolher os seguros que realmente fazem sentido para a pessoa, a tornar mais eficiente o pagamento de impostos, a adotar estratégias que otimizam a sucessão familiar e – claro – a investir os recursos da melhor maneira possível, para os projetos de hoje, de amanhã e da independência financeira/aposentadoria.

É como se você tivesse acesso a um nutricionista, academia e terapeuta ao mesmo tempo, cuidando de você como um todo, mas no caso tudo que envolve sua vida financeira, por um valor único.

O QUE É MUITO PARA VOCÊ?

Precisa ter muito dinheiro para fazer isso?

Na minha sincera opinião? Não. Até por que você já deve ter pago por esses serviços que mencionei acima em algum momento de sua vida. Ou ainda vai pagar.

Mas o que é muito para mim pode ser pouco para você. Por isso, antes de dizer alguma das frases do começo desse artigo, faça uma cotação. Essa é grátis e não provoca indigestão.

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Só o planejador financeiro ajuda o investidor a ganhar mais

Aplicar bem os recursos, evitando perdas e obtendo bons rendimentos, é o desejo de todo investidor individual, não importa se iniciante ou experiente, se com um patrimônio de maior ou menor monta.

Ele pode estudar finanças para escolher as aplicações e entender os jargões, mas ainda assim não poderá escapar de tomar uma decisão que o conduza ao erro e, consequentemente, à perda.

Como isso é possível? A tomada de decisões financeiras leva em consideração intuição, memórias, impressões, percepções e emoções – aspectos subjetivos -que fazem com que os investidores individuais, mesmo os experientes, apresentem a tendência de perder na maioria das vezes.

Quem explica é Daniel Kahneman, psicólogo e Nobel de Economia em 2002 -teórico das finanças comportamentais, ciência que pouco a pouco conquistou respeito no mercado financeiro.

Sua mais importante obra neste sentido é o livro Rápido e Devagar – Duas Formas de Pensar -, na qual detalha as pesquisas desenvolvidas ao lado de Amos Tversky, pioneiro no estudo da ciência cognitiva.

Não à toa Kahneman foi um dos palestrantes mais aguardados no primeiro dia do Congresso da B3 – Brasil, Bolsa, Balcão – realizado na sexta-feira (25/08) em Campos do Jordão.

Para ele, o investidor individual precisa de mais proteção do que imagina quando o assunto são as próprias finanças.

Essa é uma questão que passa ao largo da teoria da racionalidade econômica, ao pressupor que somos racionais e, que apenas por isso, também somos capazes de tomar decisões acertadas sempre.

“Somos racionais, mas podemos cometer erros gravíssimos por influência do comportamento. Na área de finanças, as pessoas precisam de proteção”, afirma Kahneman.

“É uma questão moral e filosófica. Ainda há contratos financeiros e de hipotecas com cláusulas predatórias, impossíveis de serem compreendidas. As grandes instituições financeiras têm meios de evitar perdas. O investidor individual não.”

Em diversos momentos, durante a palestra e em conversa com jornalistas, o Nobel de Economia lembrou da bolha imobiliária nos Estados Unidos, que levou à bancarrota de milhares de famílias, e eclodiu na crise financeira do país em 2008.

Kahneman foi duro com o trabalho da imprensa ao afirmar que há nela há um conflito de interesses. “Os investidores individuais respondem a dicas e notícias da mídia sem saber o que estão fazendo e isso explica porque eles perdem e as instituições financeiras ganham.”

A educação financeira é uma grande aliada para que as pessoas lidem melhor com o próprio dinheiro, mas isso não é suficiente.

O que ganha destaque mesmo na diminuição das perdas e até do sofrimento psicológico de investidores individuais, conforme Kahneman, é o trabalho do planejador, consultor e assessor financeiro –que, ao contrário do que possa parecer, não deve ser procurado apenas para ajudar na escolha de investimentos específicos.

“Nisso eles não são melhores do que os investidores individuais. Eles são mais importantes como terapeutas e coachs, ao ajudar as pessoas a não mudar tanto de ideia e a mexer na política de investimentos no tempo certo”, afirma.

AS QUATRO IDEIAS PSICOLÓGICAS DE IMPACTO PARA OS INVESTIDORES, DE ACORDO COM KAHNEMAN

 

*Texto publicado em 28/08/17 no Diário do Comércio