Rejane Tamoto

Só o planejador financeiro ajuda o investidor a ganhar mais

Aplicar bem os recursos, evitando perdas e obtendo bons rendimentos, é o desejo de todo investidor individual, não importa se iniciante ou experiente, se com um patrimônio de maior ou menor monta.

Ele pode estudar finanças para escolher as aplicações e entender os jargões, mas ainda assim não poderá escapar de tomar uma decisão que o conduza ao erro e, consequentemente, à perda.

Como isso é possível? A tomada de decisões financeiras leva em consideração intuição, memórias, impressões, percepções e emoções – aspectos subjetivos -que fazem com que os investidores individuais, mesmo os experientes, apresentem a tendência de perder na maioria das vezes.

Quem explica é Daniel Kahneman, psicólogo e Nobel de Economia em 2002 -teórico das finanças comportamentais, ciência que pouco a pouco conquistou respeito no mercado financeiro.

Sua mais importante obra neste sentido é o livro Rápido e Devagar – Duas Formas de Pensar -, na qual detalha as pesquisas desenvolvidas ao lado de Amos Tversky, pioneiro no estudo da ciência cognitiva.

Não à toa Kahneman foi um dos palestrantes mais aguardados no primeiro dia do Congresso da B3 – Brasil, Bolsa, Balcão – realizado na sexta-feira (25/08) em Campos do Jordão.

Para ele, o investidor individual precisa de mais proteção do que imagina quando o assunto são as próprias finanças.

Essa é uma questão que passa ao largo da teoria da racionalidade econômica, ao pressupor que somos racionais e, que apenas por isso, também somos capazes de tomar decisões acertadas sempre.

“Somos racionais, mas podemos cometer erros gravíssimos por influência do comportamento. Na área de finanças, as pessoas precisam de proteção”, afirma Kahneman.

“É uma questão moral e filosófica. Ainda há contratos financeiros e de hipotecas com cláusulas predatórias, impossíveis de serem compreendidas. As grandes instituições financeiras têm meios de evitar perdas. O investidor individual não.”

Em diversos momentos, durante a palestra e em conversa com jornalistas, o Nobel de Economia lembrou da bolha imobiliária nos Estados Unidos, que levou à bancarrota de milhares de famílias, e eclodiu na crise financeira do país em 2008.

Kahneman foi duro com o trabalho da imprensa ao afirmar que há nela há um conflito de interesses. “Os investidores individuais respondem a dicas e notícias da mídia sem saber o que estão fazendo e isso explica porque eles perdem e as instituições financeiras ganham.”

A educação financeira é uma grande aliada para que as pessoas lidem melhor com o próprio dinheiro, mas isso não é suficiente.

O que ganha destaque mesmo na diminuição das perdas e até do sofrimento psicológico de investidores individuais, conforme Kahneman, é o trabalho do planejador, consultor e assessor financeiro –que, ao contrário do que possa parecer, não deve ser procurado apenas para ajudar na escolha de investimentos específicos.

“Nisso eles não são melhores do que os investidores individuais. Eles são mais importantes como terapeutas e coachs, ao ajudar as pessoas a não mudar tanto de ideia e a mexer na política de investimentos no tempo certo”, afirma.

AS QUATRO IDEIAS PSICOLÓGICAS DE IMPACTO PARA OS INVESTIDORES, DE ACORDO COM KAHNEMAN

 

*Texto publicado em 28/08/17 no Diário do Comércio

 

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