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Quem precisa de uma reserva de emergência

Você, eu e todo mundo que quer proteger o patrimônio e os planos de imprevistos

Em janeiro é comum ouvir a frase “não posso gastar porque tive muitos imprevistos”, além do clássico “estou sem dinheiro”. Frases que se repetem sempre no começo do ano e frequentemente usadas para adiar o início de um plano financeiro.

Também são justificativas usadas por quem não tem uma reserva de emergência, também chamada de colchão financeiro.

Essa reserva deve ser o equivalente a seis meses de despesas mensais, mas isso também depende do fluxo de receita de cada pessoa.

Quem tem uma renda que é variável, como um prestador de serviço autônomo, deve ter uma reserva mais robusta, inclusive para cobrir os gastos fixos durante as épocas de fraco movimento das vendas.

A reserva deve estar em aplicação de fácil acesso e com rentabilidade conservadora. Afinal, ela é destinada a emergências.

Com reserva, dá para investir com tranquilidade

Sempre que converso com alguém sobre planejamento financeiro e investimentos, questiono bastante a respeito dessa reserva. Ela faz toda a diferença quando se trata da realização de objetivos financeiros, pois protege o patrimônio e até mesmo a realização de planos. Por isso, a resposta ao título desse artigo é: todo mundo deve ter.

Em tempos de rentabilidade baixa na renda fixa, alguns clientes ficam tentados a querer investir essa reserva em aplicações de maior risco.

O problema de uma decisão como essa é justamente precisar do dinheiro para uma emergência no dia que esta aplicação estiver em baixa e fizer o resgate. Sempre recomendo que, ao diversificar, mantenha a reserva protegida.

Quando usar uma reserva de emergência

A reserva de emergência ou colchão de segurança deve ser acessada para dar suporte a uma perda de emprego ou receita, para comprar uma geladeira para substituir a que quebrou, um celular porque o outro foi roubado ou mesmo despesas de última hora que são necessárias para realizar um plano sem perder dinheiro.

Sobre esse último exemplo, eu tenho uma história a compartilhar. Em 2017, quando já estava prestes a mudar de carreira, eu e meu marido programamos nossas férias em Nova York.

Conseguimos uma ótima condição na passagem aérea, o mesmo ocorreu na escolha do hotel. Estava tudo certo para irmos na segunda metade do meu período de 30 dias de férias – já que eu ainda era CLT. 

Eis que, no meu primeiro dia de férias, piso em falso em um degrau e lesiono o ligamento do pé esquerdo. No pronto-socorro, o ortopedista informa que devo ficar imobilizada por um mês. Se viajasse, teria que ficar sentada. A primeira reação foi pensar em cancelar tudo – afinal, como eu iria para uma cidade tão efervescente para circular a pé e ficar sentada?


No topo do Empire State de scooter com o maridão, curtindo a vista de NYC

Pensei de novo, calculei e percebi que realmente não valia a pena cancelar. Além de perder dinheiro com o que eu já havia pago, havia o principal prejuízo – o emocional – que era passar um mês inteiro lamentando o machucado presa em casa.

Recorri então à reserva de emergência e aluguei uma scooter (muito comum nos Estados Unidos para quem tem mobilidade reduzida) para circular pela cidade. Mas antes li muito sobre o quão acessível é a cidade de Nova York. E de fato é.

Fiz praticamente 90% do que planejei na cidade usando a scooter e as muletas. Havia rampas por todos os lados e motoristas de ônibus e de app de transporte que sempre me estendiam uma rampa. Aumentei um pouco o orçamento da viagem, mas ganhei upgrade no quarto de hotel – para um acessível e mais amplo. E o maior ganho foi realizar o meu plano.

Inimiga da reserva é a confiança excessiva

Então, quando falo com clientes sobre a importância de ter colchão financeiro, alguns esboçam um olhar abstrato. Outros entram em negação. Afinal, quem pode imaginar que vai machucar gravemente o pé no primeiro dia de férias? Ninguém. Eu pelo menos nunca pensei que minha reservinha fosse ser usada para isso.

A dificuldade de compor e recompor essa reserva está relacionada ao viés comportamental da confiança excessiva. É aquela frase de bolso que fica na cabeça dizendo: “comigo isso não vai acontecer”. E assim, achando que tudo sempre vai dar certo, a pessoa se arrisca bastante.

Como escapar dessa confiança excessiva, que pode trazer um prejuízo financeiro futuro? Conversando com alguém de sua confiança. Um planejador financeiro pode ajudar a mensurar os riscos e calcular qual o tamanho certo dessa reserva. E então? Está pronto para superar os imprevistos?

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O que você precisa saber se não gosta de cuidar das suas finanças

Um levantamento confirmou em números o que muitos já sabem ou até desconfiam: 58% dos brasileiros não gostam de dedicar tempo para cuidar das próprias finanças.

A pesquisa é do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e foi realizada com 805 consumidores acima de 18 anos, de ambos os gêneros e de todas as classes sociais nas 27 capitais.

Com esse percentual alto, resolvi fazer um post para a turma que não gosta de dedicar tempo para cuidar do próprio dinheiro.

Nem preciso repetir que uma solução para sair dessa encrenca de não cuidar das finanças é ter uma assessoria financeira personalizada, não é?

Porque cuidar das finanças pessoais demanda, além de conhecimento técnico sobre o assunto, um trabalho de autoconhecimento.

É preciso saber que tudo o que está por trás dos números significa na sua vida e como você se sente em relação a isso. E como planejadora, ajudo nessa busca.

Parece papo de terapeuta – e até é -, mas traz um resultado positivo para as suas finanças.

Já vi cliente que, nas primeiras reuniões de planejamento financeiro, não suportava olhar para a planilha pois não queria encarar os valores que estava gastando todo mês.

Depois de um trabalho personalizado, tomou gosto pela anotação, pois, com a minha ajuda, aprendeu a pensar e a cuidar do próprio dinheiro.

BARREIRA TAMBÉM É EMOCIONAL

Fico tão feliz quando vejo outra pessoa satisfeita e orgulhosa por ter ultrapassado essa barreira, que é 90% de raiz emocional.

O levantamento que citei no começo do texto mostra um pouco da importância do planejamento financeiro que faço, um trabalho que envolve aspectos técnicos e comportamentais.

O estudo mostra que 91% dos consumidores não fazem o controle do orçamento por não terem familiaridade com a matemática e 45% afirmaram que gastam muito por impulso.

CONSEQUÊNCIAS NEGATIVAS

Uma consequência de não cuidar das finanças é o endividamento excessivo, causado pelo descontrole. A pesquisa mostra que 17% dos respondentes precisam do socorro do cartão de crédito e do limite do cheque especial para pagar as contas do mês.

Pior: mais trabalhoso do que preencher planilhas de orçamento para controlar os gastos é ter de reorganizar e consolidar dívidas. Além de trabalho, leva tempo, que também é precioso.

Outro dado triste da pesquisa é que 48% nunca ou somente às vezes planejam seus recursos para realizar um sonho. A pesquisa mostra que 38% nem sempre têm planos para o futuro.

Quando iniciamos o processo de planejamento financeiro, conversamos de forma a resgatar esses planos e sonhos muitas vezes perdidos. E investimos para realizá-los. Afinal, o que seria da vida sem os sonhos e sem a esperança de um amanhã melhor?