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Detox financeiro: contra excessos de festas, férias e folia

É sempre assim: no país do carnaval, o ano só começa depois do fim dos três Fs que consomem a rotina das pessoas de dezembro a março: as festas, as férias e a folia. Esse trio deixa marcas não só na balança e nas taxas de colesterol, mas também no bolso.

Quem tem planejamento financeiro provavelmente está preparado para passar por essa fase sem enxaquecas, mas mesmo assim eu indico o detox financeiro. Para quem não deixou uma reserva para essa época, então, nem se fala.

Assim como o detox alimentar que adotamos para limpar o organismo a fim de resgatar o equilíbrio do corpo e da mente, o detox financeiro é indicado para restaurar a saúde da conta bancária e do bolso.

Se no alimentar temos que misturar vegetais com frutas e tomar sucos e chás mirabolantes, no financeiro o exercício é procurar as gordurinhas no orçamento, principalmente aquelas que a gente não consegue ver de jeito algum.

DÁ PARA FAZER SEM SOFRER

É claro que não proponho aqui uma prática que traga sofrimento e nem aquela dor de eliminar pequenos prazeres para ter mais dinheiro. Nada disso. Se assim fosse, eu indicava uma dieta – e das mais radicais.

O detox tem uma característica interessante porque pode levar a uma reeducação alimentar, transformando o consumo desses alimentos saudáveis em hábito. É colocar para dentro vitaminas e minerais e para fora aquilo que não te pertence (ou não deveria pertencer).

E como fazer isso sem sofrer? Bom, se na alimentação podemos promover substituições de alimentos gordurosos por alimentos saudáveis e gostosos, nas finanças o detox segue o mesmo princípio.

O EXERCÍCIO DO CORTE CONSCIENTE

No exercício de emagrecer suas despesas, comece olhando para os serviços fixos que você contrata e analise o quanto realmente está sendo utilizado.

Isso mesmo. Quantos minutos são consumidos em cada uma das linhas telefônicas, quantos MB de internet versus quanto tem direito, quantos canais realmente são assistidos na sua TV por assinatura e por aí vai…

É pensar mais no que estou usando de tudo que pago – incluindo academia e clubes.

Depois analise as demais despesas sempre com a pergunta em mente: preciso mesmo gastar sempre com as mesmas coisas? Quantos livros que comprei eu li? Tudo tem de ser mantido da mesma forma? Ou há uma maneira mais criativa de reduzir o gasto e continuar desfrutando do serviço?

Às vezes compramos coisas que não usamos quando na verdade podemos vendê-las em sites ou levá-las para feiras de trocas e descobrir um objeto ou adereço interessante. Essa é uma das vertentes do consumo consciente.

SIMPLIFIQUE

Conheço pessoas que compartilham planos de serviços de streaming, por exemplo. Na verdade, são medidas muito simples que em nada diminuem o acesso a serviços que você tem, mas que fazem um bem danado ao bolso.

Se a gente coloca a cabeça para funcionar, saem muitas ideias desse detox, mas elas sozinhas não são suficientes. É preciso colocar em prática. Decidiu ver outras opções de planos de internet ou de telefonia? Então pesquise e estipule um prazo para decidir pela mudança.

Afinal, a preguiça também é inimiga do detox – e não só do financeiro.

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Quanto dinheiro você precisa para ter um planejador ao seu lado?

“Quando eu for rica falo com você. Não tenho dinheiro o suficiente”

“Se eu conhecer alguém que precisa, eu te aviso”

Essas são as frases mais comuns que escuto ao dizer que sou planejadora financeira. Afinal, essa é a primeira imagem que as pessoas têm em mente quando ouvem falar dessa profissão, que é tão recente no Brasil.

Essas afirmações não estão totalmente incorretas, já que pessoas dotadas de fortuna sempre tiveram acesso ao planejamento financeiro, seja por meio de atendimento exclusivo nas instituições financeiras com quem mantêm relacionamento, seja por meio de casas especializadas, os chamados family offices.

O outro lado também é verdadeiro, já que a mídia sempre divulga os mutirões para ajudar a organizar as finanças de pessoas que estão com a corda no pescoço. Uma iniciativa interessante nessa direção é o programa voltado para superendividados do Procon.

E COMO FICA QUEM NÃO ESTÁ NEM TÃO AO CÉU E NEM TÃO À TERRA?

Mas o que acontece com quem não está nem tão ao céu e nem tão à terra? Bom, com essas pessoas, que um dia fui eu e hoje pode ser você, a novela é sempre a mesma.

A gerente do banco liga oferecendo capitalização, previdência, às vezes pedindo quase como um favor pessoal pelos “anos de relacionamento”, ou barganhando um desconto na mensalidade se você aplicar suas economias no fundo x ou y. Às vezes nem liga e você vai sozinho pesquisar o que fazer.

Essa gerente está fazendo o trabalho dela, é claro, e longe de mim demonizar o que ela faz, já que conheci várias, inclusive nos cursos de planejamento que frequentei.

O que importa aqui não é julgar, mas é lembrar que uma profissional dessa está fazendo o trabalho dela para o banco ou corretora a qual está vinculada – mas não para você, para atender somente aos seus interesses.

CUIDADO COM O ‘ALMOÇO GRÁTIS’

Encontrar alguém que te ajude a transformar sua vida financeira positivamente e de graça será impossível. Não existe almoço grátis mesmo. E quem tenta provar isso acaba tendo uma indigestão no final.

E é aí que entra o trabalho do planejador financeiro, que pode cobrar uma mensalidade, um valor fechado ou um determinado percentual do seu patrimônio sob gestão por um serviço completo.

O planejamento completo que eu faço, por exemplo, inclui uma avaliação do seu perfil de comportamento para que cada solução seja adaptada a você.

Então, sob medida, ajudo o cliente a gastar menos ao fazer uma completa revisão do orçamento (e isso também é um ganho), a economizar e ao mesmo tempo escolher os seguros que realmente fazem sentido para a pessoa, a tornar mais eficiente o pagamento de impostos, a adotar estratégias que otimizam a sucessão familiar e – claro – a investir os recursos da melhor maneira possível, para os projetos de hoje, de amanhã e da independência financeira/aposentadoria.

É como se você tivesse acesso a um nutricionista, academia e terapeuta ao mesmo tempo, cuidando de você como um todo, mas no caso tudo que envolve sua vida financeira, por um valor único.

O QUE É MUITO PARA VOCÊ?

Precisa ter muito dinheiro para fazer isso?

Na minha sincera opinião? Não. Até por que você já deve ter pago por esses serviços que mencionei acima em algum momento de sua vida. Ou ainda vai pagar.

Mas o que é muito para mim pode ser pouco para você. Por isso, antes de dizer alguma das frases do começo desse artigo, faça uma cotação. Essa é grátis e não provoca indigestão.

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Só o planejador financeiro ajuda o investidor a ganhar mais

Aplicar bem os recursos, evitando perdas e obtendo bons rendimentos, é o desejo de todo investidor individual, não importa se iniciante ou experiente, se com um patrimônio de maior ou menor monta.

Ele pode estudar finanças para escolher as aplicações e entender os jargões, mas ainda assim não poderá escapar de tomar uma decisão que o conduza ao erro e, consequentemente, à perda.

Como isso é possível? A tomada de decisões financeiras leva em consideração intuição, memórias, impressões, percepções e emoções – aspectos subjetivos -que fazem com que os investidores individuais, mesmo os experientes, apresentem a tendência de perder na maioria das vezes.

Quem explica é Daniel Kahneman, psicólogo e Nobel de Economia em 2002 -teórico das finanças comportamentais, ciência que pouco a pouco conquistou respeito no mercado financeiro.

Sua mais importante obra neste sentido é o livro Rápido e Devagar – Duas Formas de Pensar -, na qual detalha as pesquisas desenvolvidas ao lado de Amos Tversky, pioneiro no estudo da ciência cognitiva.

Não à toa Kahneman foi um dos palestrantes mais aguardados no primeiro dia do Congresso da B3 – Brasil, Bolsa, Balcão – realizado na sexta-feira (25/08) em Campos do Jordão.

Para ele, o investidor individual precisa de mais proteção do que imagina quando o assunto são as próprias finanças.

Essa é uma questão que passa ao largo da teoria da racionalidade econômica, ao pressupor que somos racionais e, que apenas por isso, também somos capazes de tomar decisões acertadas sempre.

“Somos racionais, mas podemos cometer erros gravíssimos por influência do comportamento. Na área de finanças, as pessoas precisam de proteção”, afirma Kahneman.

“É uma questão moral e filosófica. Ainda há contratos financeiros e de hipotecas com cláusulas predatórias, impossíveis de serem compreendidas. As grandes instituições financeiras têm meios de evitar perdas. O investidor individual não.”

Em diversos momentos, durante a palestra e em conversa com jornalistas, o Nobel de Economia lembrou da bolha imobiliária nos Estados Unidos, que levou à bancarrota de milhares de famílias, e eclodiu na crise financeira do país em 2008.

Kahneman foi duro com o trabalho da imprensa ao afirmar que há nela há um conflito de interesses. “Os investidores individuais respondem a dicas e notícias da mídia sem saber o que estão fazendo e isso explica porque eles perdem e as instituições financeiras ganham.”

A educação financeira é uma grande aliada para que as pessoas lidem melhor com o próprio dinheiro, mas isso não é suficiente.

O que ganha destaque mesmo na diminuição das perdas e até do sofrimento psicológico de investidores individuais, conforme Kahneman, é o trabalho do planejador, consultor e assessor financeiro –que, ao contrário do que possa parecer, não deve ser procurado apenas para ajudar na escolha de investimentos específicos.

“Nisso eles não são melhores do que os investidores individuais. Eles são mais importantes como terapeutas e coachs, ao ajudar as pessoas a não mudar tanto de ideia e a mexer na política de investimentos no tempo certo”, afirma.

AS QUATRO IDEIAS PSICOLÓGICAS DE IMPACTO PARA OS INVESTIDORES, DE ACORDO COM KAHNEMAN

 

*Texto publicado em 28/08/17 no Diário do Comércio