Rejane Tamoto

Happy beautiful family on the big garden on the dawn time.

5 boas práticas de planejamento financeiro para pais

Pai é quem cria, ensina, sustenta e protege. E quando o assunto é dinheiro, o pai tradicionalmente foi o pilar financeiro, papel hoje cada vez mais compartilhado com a mulher. Como não existe manual para ser pai, é comum encontrar os que se dedicam a manter o bem-estar financeiro dos filhos, mas deixam de seguir boas práticas de planejamento que permitem que essa condição se sustente no futuro. “Heróis” dos filhos, os pais podem conviver melhor com essa capa quando protegem os riscos que podem trazer impactos para a própria vida e a da família.  Neste artigo, elenco cinco boas práticas de planejamento financeiro para quem já é pai ou pretende ser.

1- Esteja pronto para imprevistos

O inesperado sempre pode acontecer. A geladeira ou o carro pifou, o pet da família ficou doente e, o maior de todos, a perda de renda ou salário de um dia para o outro. Diante de situações inesperadas é preciso contar com uma reserva de segurança, ou seja, um valor equivalente a seis meses das despesas em aplicação de baixo risco. É um investimento que protege da necessidade de se endividar em limites de cheque especial ou empréstimos para arcar com as emergências. Nesse pedaço do patrimônio, o que vale é ter acesso rápido aos recursos sem risco (oscilação). Sim, é a parte do investimento “sem emoção”, mas que garante noites de sono mais tranquilas.

2- Quer deixar patrimônio os filhos? Atenção aos custos

Papais cringes (ou mesmo os mais novos!) gostam de investir pensando no que deixarão para os filhos e invariavelmente isso se converte na aquisição de muitos imóveis. Nada contra o investimento de tijolo mais tradicional e amado do brasileiro, mas é preciso pensar no custo que eles geram ao longo da vida e na forma com que serão transmitidos aos filhos na ausência do pai.

Imóveis entram em inventário, o que gera um custo médio de 10% do valor total para pagar advogado e mais o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), que varia de acordo com cada estado – em São Paulo, por exemplo, corresponde a 4% do valor total dos bens. Portanto, pensar em estratégias que reduzam os custos para os filhos (e brigas também) é um bom legado e exemplo. Caminhos possíveis são ter uma cobertura para arcar com essas despesas em seguro de vida, estudar se a doação é uma alternativa correta, ou mesmo diversificar o patrimônio com a previdência, que não entra em inventário. Mais uma vez, é importante analisar as situações de forma individual, pois cada Estado tem suas regras e cada família, suas particularidades. Não há receita de bolo.

3- Cuide do pai de amanhã

Continuar na ativa após a aposentadoria é a escolha de muitos pais que se sentem bem com o que fazem, mas em muitos casos isso acontece por necessidade. Isso porque, sem a renda do trabalho, não é possível arcar com as próprias despesas depois que os filhos já se tornaram independentes. Para evitar isso, é recomendável fazer um planejamento para ter independência financeira na aposentadoria. Quanto antes souber quanto precisa acumular em patrimônio para ter renda no futuro, mais tranquila será a jornada para chegar até ele. Se hoje não é possível para um aposentado arcar com todas as despesas só com o INSS, no futuro isso é ainda mais incerto. Então, formar uma reserva em previdência complementar traz uma proteção maior para o pai do futuro, que é aquele que vai curtir a vida.

4- Proteja a situação financeira de eventuais riscos

Antigamente, a figura do pai era a do que nunca tinha tempo para a família. O negócio era trabalhar e garantir boa escola e férias aos filhos. Não que isso seja diferente hoje, mas é preciso parar para pensar: e se a bateria do papai acabar de repente ou falhar? Como fica a família? Os seguros saúde protegem de gastos expressivos com internação, enquanto o seguro de vida garante recursos para que a família se sustente por um tempo, sem uma queda abrupta no padrão de vida. É um assunto delicado, eu sei. Mas o seguro também protege em vida, com indenizações no caso de invalidez, diagnóstico de doenças graves e até perda de renda.

5- O maior legado é o que o pai ensina (e faz!)

Sempre que converso sobre dinheiro com clientes, conversamos sobre como os pais lidavam com os recursos. Naturalmente ouvi histórias de pais que gastavam como se não houvesse amanhã, e também de pais bem rígidos com o cofrinho dos filhos. De certa forma, ensinaram de um jeito agradável ou não, alguma lição sobre dinheiro. Muito além da educação financeira, ao explicar conceitos, ensinaram com o próprio exemplo. É comum ver filhos com bom planejamento para aposentadoria que tiveram pais que fizeram isso para si próprios. Então, um bom legado que pais podem deixar é o exemplo, para que os filhos também sejam independentes financeiramente. Com planejamento financeiro é possível criar uma corrente positiva, que reflete na própria vida e na de quem está ao redor.

 

Rejane Tamoto é planejadora financeira CFP®, jornalista e sócia da FIDUC. Voluntária na Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros-, tem como missão transformar positivamente a vida financeira das pessoas e contribuir para o crescimento dessa profissão no país.

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